Escola pública.

Ontem fui tirar um raio-x e enquanto aguardava para ser atendido olhava pela janela a movimentação da Rua Marechal Guilherme, como sempre costumo fazer para passar o tempo. Deparei-me com uma paisagem um tanto quanto feia, era uma escola pública, pra ser mais exato, a Escola Básica Lauro Muller. De onde me encontrava, apenas conseguia ver as quadras de esportes e um pouco da construção, pintura totalmente desgastada, as quadras com as demarcações já quase apagadas, traves de futebol sem rede e as cestas de basquete com a rede destruída. A fachada da escola já não é das mais bonitas também.

Diante deste cenário, começei a pensar em algumas coisas: um jovem que vai à escola e encontra, no seu momento de lazer, condições precárias, como vai gostar de frequenta-la? Como terá animo para estudar e batalhar pelo seus objetivos? Tenho certeza de que a realidade dentro de sala de aula não é muito diferente daquela supra mencionada.

Próximo dali, encontram-se os Colégios Energia e o antigo Coração de Jesus, onde a realidade é absurdamente diferente. Já começando por serem particulares. As quadras do Colégio Coração de Jesus, na época em que estudei lá, eram magníficas, totalmente pintadas, com redes nas traves, e contava ainda com dois ginásios, caso houvesse chuva, tínhamos a certeza de que a nossa tão esperada educação física iria acontecer. Com Sol ou não.

Já na escola pública, a qual mencionei, os garotos, além de encontrar as quadras precárias, muitas vezes encontram professores desmotivados, despreparados. Imaginemos a rotina deles: acordam pela manhã, já sem muito o que comer, botam um uniforme cedido pela Prefeitura, chegam á escola e aguardam o início da aula. Professor mal humorado, passa um conteúdo ás avessas e sai, na sequência, outro professor e age da mesma forma. No recreio, ganham uma merenda, voltam á sala. E começa a “tortura” novamente, e assim sucessivamente, os dias, os meses passam.

Por isso o alto índice de faltas, de desistência, de reprovação. Não tem como ser diferente. Não vejo como ser diferente, diante das circustâncias que encontram na instituição onde estão matriculados.

Como pensar que um jovem formado nessas circustâncias, venha a disputar, seriamente, uma vaga num vestibular com outro que teve outras oportunidades e diferente infra-estrutura? Agora sim, começo a entender o porquê das Cotas. É muito mais fácil e mais barato diferenciar pelo modo de ensino que lhe foi dado, do que dar condições para que a disputa não seja desleal.

Se Deus quiser, eu ainda vou conseguir exercer um cargo político para mudar – ou tentar – essa realidade tão cruel, espero que não seja tarde demais.

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